domingo, 8 de março de 2009

Voar...


Deixo aqui meu corpo, entregue aos prazeres da carne, sigo rumo ao espaço em busca do infinito, abrindo as asas, estirando meus braços. Mergulho neste voo, percorrendo as paredes íngremes do abismo, roço minha penas em arestas afiadas, desbravo caminhos ocultos. Abraço as palavras que recebo em mim tua alma, como novo reencontro, caminho tantas vezes seguido, de regresso ao espírito, à essência, à pureza dos sentidos.

Bebi do teu corpo, provei no teu cálice o néctar, momento em que me fiz homem, em que senti na pele o traço de teus dedos. Mas a alma voa mais alto, não se pode confinar ao corpo ou se tornaria mortal. No cume deste penhasco, onde a Terra toca os Céus, deixo um pedaço do homem, corpo despido de alma que entrego à terra, para voar mais alto, ser mais leve e tocar a eternidade.

Comigo levo um pedaço de voce, levo comigo teu perfume, levo comigo tua verdadeira essência que tua alma guarda em lugar secreto que apenas as plumas de minhas asas conseguem tocar. Sinto no ar, cada momento, guardo no olhar cada instante, em que por momentos se fez realidade. Homem e Mulher se fundiram num único corpo, que guardará para sempre um sinal dessa fusão.

Nesta Noite, regresso à magia dos tempo, lugar onde habito, onde sou apenas uma luz, que na noite escura brilha, como centelha de esperança.

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