sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Menina


Sinto ainda, o calor dos teus dedos que desenham os meus, sinto ainda o perfume da tua pele que penetra na minha, sinto ainda o brilho do teu olhar, escondido, que me entra pela alma, sinto ainda o gosto da tua boca, no beijo trocado, por entre lábios.
Escuto, a tranqüilidade da tua voz, plácida ternura do teu jeito, mulher, menina, sorriso aberto que os lábios escondem. Olho-te, na distância deste instante em que o teu corpo foi o meu, entendo, no momento, tudo aquilo que se fez de palavras escritas e hoje se faz de palavras sentidas. Menina, mulher, sinto ainda a textura dos teus cabelos roçar-me o rosto, o calor dos teus braços dançando sobre o meu dorso, a chama que arde, quando o teu corpo toca no meu.
E tu, adormecida, recebes-me, de braços abertos, com a inocência da infância, com a certeza da adolescência, com a segurança da maturidade, tranqüila. Embalada num sono suave, no mar das minhas mãos deixas o teu corpo, para te abraçar, deixas que a minha pele seja maresia, para te molhar, deixas que a minha boca seja fonte, para te dar de beber.
Neste sonho da realidade, dormes, sentindo-me, como este nevoeiro que me abraça o corpo, que abraça o teu, sempre.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

No teu silêncio

És tu, que no teu silêncio me escutas, que na tua distância me sentes, que na tua solidão me esperas. Sou eu, aquele que voa pelos céus ao teu encontro, que a cada Noite te abraça no vazio da tua alma, que a cada dia dorme em ti.

Teu corpo abandona-se às agruras da vida, tua alma mata a sede do prazer que te negam nas palavras deste suco, deste néctar que te ofereço. Juntos, somos uma noite qualquer, onde as estrelas se fundem com o brilho dos olhares que nelas se fixam estarrecidamente, perdidos, na esperança de se encontrar.

Provo-te a pele despida, sabor salgado de ti, gosto distante que me adocica os lábios e me deixa a boca sedente do teu ser. Devoro cada sulco, cada curva que desfaço, cada reta percorrida em nós, como se fosses a última corrida dum velho carro. Toco-te, na ponta dos meus dedos, como se fosses cordas duma viola inventada, pedaço de música encantada que me embala para adormecer.

Tudo isto, num segundo, um momento de imaginação, em que os dedos escrevem sozinhos e as mãos, geladas, se deixam conduzir para te tocar.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Brisa


Inundas a Noite com os contornos suaves da tua pele. Perfumas o ar da fragrância suave do teu corpo, que me entregas, no crepúsculo deste lugar, que é nosso. Em minhas mãos derramo os fluidos que entrego sobre ti, numa carícia prolongada, tranquila. Sobre a cama, estendes-te qual planura sem fim, que percorro com os dedos úmidos, em movimentos ritmados, cavalo adestrado caminhando a passo lento sobre terra virgem. Sinto cada sulco do terreno, cada protuberância desta escultura corporal que amasso ternamente, escultor que recorda a obra feita em desenhos sobre o ar fresco da manhã. Sobre o ambiente carregado de essências, murmuro palavras antigas, memórias esquecidas dum tempo em que a magia era música constante entre nós. Num tempo em que os corpos se alimentavam da carne fresca que possuíamos, possuindo-se até à exaustão. Hoje, venho aqui, ao passar constante de cada Noite, deitar-me sobre o teu corpo desnudo, acariciando-o, numa massagem revigorante que te desprende a alma e te entrega asas para voares. Vivo das lembranças, dos sentimentos, das saudades da tua pele sobre a minha, do teu perfume sobre o meu. Hoje, sou apenas uma brisa, que sentes na Noite escura, afagar-te o corpo nu, que te recorda o passado e te dá esperança no futuro. Hoje, como sempre desde que parti, venho visitar-te, a cada Noite, para matar saudades.

Encontrar você!

Na penumbra do quarto sinto-te o corpo fremente, a alma ilumina-se, salta-te do peito em raios de luz. Ilumina-se a escuridão e nascem as sombras, vês-me sem me tocares, sentes-me, presença constante, caminhando a teu lado ao longo dos dias, amando-te pelas noites fora.
Meu corpo invisível é trespassado pelo brilho do teu ser, reconheces-me apenas pela sombra que projeto sobre tua pele despida.
Sentes o calor dos meus lábios cruzando os teus, e a intensidade do mar dos meus olhos quando vem molhar as areias das tuas praias. De minhas mãos recolhes o tato com que te acaricias, sentindo-te minha a cada toque.
No âmago de ti recebes meu corpo inventado, abraçando-o, deixando-o completamente entregue em teu corpo úmido de prazer.

Sinto no ar o perfume da tua pele, como se tivesses vindo até mim, como se estivesses aqui, minhas mãos deslizam no ar, contornando teu corpo acabado de criar. Pura magia, aquela que te faz viajar, até mim. Sonho, utopia, ou simplesmente vontade de te encontrar.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Suavidade do teu corpo

A suavidade da margem do teu corpo, adormece-me nas praia da tua pele. O vidro que nos separa, condensa em si toda a humidade que se desprende de ti, pareces um sonho para lá da realidade fria daquele cristal. A silhueta desnuda, reflete para lá do corpo a alma intensa que reside em ti. Os contornos suavizados pela água que se desprende em pequenas gotícolas, que resvalam ao sabor da gravidade, tornam-te uma simples miragem.

Os aromas que emulsionam a água que cai em cascata do chuveiro preso na parede, espalham no ar o perfume que sinto sobresair da tua pele quando me abraças. Do cabelo escorrido, enrolam-se cordas de água doce, que se precipitam até ao lago que se estende a teus pés, percorrendo-te todas as curvas, inundando-te cada recanto íntimo, para terminar, levando com ele, pedaços de ti.

Fico aqui, do outro lado desta barreira cristalina que nos separa, como se estivesse numa galeria, contemplando uma obra de arte. Espectador atento da tua sensualidade, vigilante dedicado de tua essência, anjo, guarda, de tua alma.

domingo, 25 de novembro de 2007

Simetrias

É entre os reflexos do tempo que se encontram os mais sagrados segredos da eternidade. Entre a imagem real daquilo que somos e a imagem reflectida daquilo que fomos. O teu corpo, é igual simetria de sabedorias, sensibilidades e paixões. De um lado a realidade que enfrenta a agrura dos dias, ao outro lado, a sensibilidade que eleva os sonhos na noite que te adormece.

E o tempo, que a duas velocidades cresce contigo, levando a menina a fazer-se mulher, levando a mulher a tornar-se deusa. Eu, sou apenas as letras que ordenas em poemas perdidos sobre páginas de livros que se empilham na sombra das pedras que caminhamos todos os dias. Sou o murmúrio que escutas na brisa do vento que passa por ti, que te envolve, e te abraça como aquele apertado abraço que te deixei na partida.

E voas, igualmente simétrica nas asas, a que te conduz pela vida, a que te leva pelos sonhos, esperando que um dia ambas sejam apenas um par, e juntos possamos voar.

Quebrar a Solidão



Escrevo-te, para quebrar a solidão dos meus dias, acompanhar-te na solidão das tuas noites, por entre todo o silêncio a que te votas, abraçado nesse mar de estrelas que te entra pela janela. Escrevo-te na busca da perfeição, na onda distante que a alma agita, como um poeta que não rima. Escrevo-te porque quero ser a chama da tua fogueira, porque quero ser a luz tremula que te ilumina a alma, a companhia que na distância te acalma.

Descubro-te, simplesmente pelo instinto, pelo sabor que provo no vento, gosto teu que me toca, instante aberto em que me entregas a verdadeira essência de ti.

Desenho-te sabendo-te de cor, como se tivesses sido minha alguma vez, como se apenas te tivesse tocado, abraçado, beijado. Invento-te, na luz do dia, para que sejas real nos sonhos da

Noite, e, escrevo-te, mesmo sabendo que não me lês, mesmo sabendo que já não me sentes, ainda assim te escrevo, com todas as metáforas que conheço, torneando cada palavra, embutindo nela o sentir que reluz como madrepérola.


E tu, aí sentada, olhando a janela e vendo passar lá fora o mundo, perguntas-te, sou eu? E eu respondo-te, sim és tu, tu mesma, que agora descobriste nas minhas palavras os teus sentimentos, nas minhas metáforas a realidade que vivias procurando. Utopia dirás, mas o que não é utópico? Até a própria realidade o será se deixarmos de acreditar nela.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Um sonho

A cada Noite, venho visitar-te na tua solidão, alimentar-te a saudade que sentes já sem saber. Agora os teus olhos vêem-me, o teu corpo sempre me sentiu, mas era uma presença imaginada, hoje sou uma imagem nítida na memória do teu futuro.

A tua pele recebe-me como a brisa do vento, que te abraça o corpo desnudo. Teus olhos cor do mar, vêm-me chegar montando Pégaso. Tuas mãos, desenham sobre a folha branca de papel, fazendo-me real, dando-me forma. Num instante, salto do papel, ganhando vida, apeando-me da montada, pegando tua mão para beijar.

Ofereces-me teu corpo para abraçar, queres sentir os meus contornos e tocar a minha pele morena. Absorvo cada sabor teu, inálo cada perfume como elixir, que me dá vida, que me mata a sede desta ausência prolongada.

Estes breves instantes, entre um dia e outro dia, fazem da Noite um momento de partilha, tornam-na mágica e levam-nos ao lugar dos sonhos, onde se realizam as metáforas, onde nos encontramos a cada Noite. Depois, deixo-te de novo, com a aurora, mergulhada na tua solidão, nos sonhos que desenhas para ti, e despertas, abrindo os olhos, e lembrando-te logo alí, que sonhaste comigo.

Tempo


Escorre pelas mãos o tempo, como areia que se dissolve na água do mar. Passa por mim a vida, correndo como rio até ao oceano. Fico sentado, neste recanto de estrada, margem entre ficção e realidade, instante parado, pedaço de tempo que perco. Não sei onde estou, sequer se estou em algum lugar. Não sei como vim, de onde parti para aqui chegar.

Teu, bálsamo que suavizas minha dor, momento de prazer que me acolhe no meio da Noite. Só em ti encontro a alma, só em ti encontro a casa, o leito perdido onde me recebes de corpo aberto.

Tu, tão somente tu, que no vazio me descobre, que na imensidão da praia me distingues entre grãos de areia, tu, apenas tu.

Silêncio, cala-se a vida, sossegam os murmúrios e a ausência torna-se presente, neste lugar vazio onde me deixo ficar. Chegas, nas ondas do mar, perdida na brisa do vento, ou no raio que rasga o céu escuro da tempestade. Teu corpo molhado, é areal onde me deito, abraço, apertado que me conforta, colo que me aconchega. Eu, teu porto de abrigo, onde aportas teu corpo, onde matas a sede da saudade e renovas a alma, no sopro suave dos meus lábios.

Letras


Nas letras do teu poema, encontro-te, contemplando a noite, a alma enlaça-se nas rimas, e a voz que não escuto, declama os versos, como se os escrevesses nesse instante, para mim. No teu poema, a luz nasce, entre cada estrofe, no ritmo do palpitar do meu coração que bate no teu peito.

O teu corpo, despido, espera pela brisa do meu vento, que o afaga, como se meus dedos se fizessem de nada e viessem acariciar-te a tua pele canela, descobrindo cada recanto teu, como se já te houvesse tocado um dia, te tivesse possuído, fosses minha naquele momento em que consigo rasgar a barreira entre as dimensões para estender o meu braço, abraçar-te.

A música embala o teu olhar, uma lágrima de saudade desprende-se, formando um rio que corre, face abaixo, percorrendo-te, deixando por todo o corpo as letras que me escreves, fazendo da tua pele, papel onde marcas a tinta os sentidos que me ofereces.

Neste instante, abro as nuvens, e deixo escapar do meu peito um brilho, que atinge o teu olhar, repousa no teu peito, levando com ele a minha pele, o corpo que te aquece a alma, te cobre, te descobre e te ama até nascer uma nova madrugada.

domingo, 18 de novembro de 2007

Dançando


Pauso o olhar, nas tranças do tempo, deixo-me ficar, sentado sobre ele, vendo a vida passar, o teu corpo mudar, ao ritmo do meu pensamento. Deixo-me estar, parado entre os segundos, vislumbrando na penumbra o teu corpo desnudo, dançar em minha frente. Hoje estou vazio, não sei se gastei todas as palavras de uma só vez, ou, se, simplesmente, deixaste de as soprar no vento. As mãos geladas não escrevem e o olhos ficam parados para lá do infinito, sem se aperceberem do que ocorre em seu redor. Tu, vestida de nada, segues aí, agitando o corpo ao ritmo dum relógio qualquer. As forças esvaem-se e o corpo entra numa letargia oca. Não se escuta nada, nem a música que outrora enchia a casa de ruidos. Apenas os corpos permanecem sem saber muito bem porque ficaram aqui quando as almas foram para outra dimensão. Sinto apenas a brisa que provoca o teu corpo de bailarina, vestido da seda da tua pele, que se contorce nesse palco vazio que é a vida. Os meus olhos, vidrados no horizonte que se apresenta como limite infinito deste mundo onde o ar é a única coisa que subsiste, apenas vêem para lá do escuro, um ponto azul claro, na extensa Noite em que se transforma esta dança sem música a que te entregas em cada dia da tua vida.

sábado, 17 de novembro de 2007

...Sozinho aqui!


Despertas da escuridão, envolta no perfume das flores que te cobrem o corpo. Desabrochas para a vida, depois da tempestade duma noite de pesadelos. Faz-se dia, antes mesmo que a a escuridão desapareça, porque o sonho afastou os temores, os medos. Dissipam-se as nuvens e o brilho da Lua ilumina o teu olhar. Teu corpo feito de prata reflecte os desejos que a alma anuncia escondida em teu peito.

Sou estrela que te visita, abraço terno que te acolhe no frio e na distância que te separa de mim. Sonho, de uma noite quente de Verão, ou, coberta que te afaga a pele num dia frio de Inverno. Sou letras, imaginação com que preenches o teu sono. Sou quase tudo, e praticamente nada. Acordas, no meio desta Noite, arrepiada pelo ar fresco da madrugada, ou por pressentires a minha partida antecipada.

O vento do norte vem-me buscar, e os raios do Sol adormecem o meu olhar, já não brilho no teu céu, já não te abraço porque a realidade te colheu, deixando-me ficar sozinho, aqui!